Mas tem começo?

Untitled design (15).png(Agnes Cecile)

Quando tudo começou?

Final do ano passado eu fui em uma astróloga que me indicaram… não peraí! Foi muito antes disso!

Já sei! Foi quando eu entrei na terapia corporal! Claro!

Não não, na verdade foi quando eu comecei a me dar conta que não me encaixava no rôle de ser mulher padrão.

Será?

Caralho! Não sei! Não faço a menor ideia de como tudo começou, então como iniciar esse texto se ele não tem começo?! Se agora que eu coloquei mais um óculos, outra visão de mundo veio e tá tudo embaçado!

Tá confusa? Bem vinda a esse estado eterno de confusão que tem sido a minha vida nos últimos anos.

Desde que resolvi ouvir um grito desesperado que ecoava dentro de mim pra eu parar a vida que eu estava levando e olhar pra dentro, tá tudo exatamente confuso pra caralho!

Foi assim que eu ouvi meu primeiro uivo! Meu primeiro grito!

E eu tenho certeza que eu só consegui me ouvir e agir sem tantos empecilhos externos por ser uma mulher branca, classe média alta e privilegiada.

Pausa na confusão mental para dizer que ter sido criada num ambiente de privilégios não é um problema, mas sim uma consciência para que eu possa reconhecer meu espaço na sociedade e dar o lugar de fala correto para que o tem. Diferente de mim, pode ser que mulheres maravilhosas pretas, da periferia, não tenham a oportunidade de ter acesso aos livros que falam sobre as mulheres ancestrais e rituais antigos de conexão consigo mesma. Não consigam dar ouvidos aos seus próprios gritos, porque estão atentas aos barulhos de tiros ou ao seu filho avisando que chegou em casa sã e salvo. Ou até que elas escutem, mas não podem, assim como eu, escolher agir, porque muitas coisas pra elas, não são escolhas, é opressão e é sobrevivência.

Então farei o possível para que o que  eu falar aqui consiga tocar o coração de todas. Se por um momento o meu privilégio me ofuscar, por favor, me ensinem, me mostrem, me falem como que eu posso mudar o meu discurso.

Longe de ser a dona do saber, não quero que esse blog seja uma verdade, porque, na verdade, eu tô com medo. Completamente apavorada em me descobrir como mulher e me abraçar por inteiro e queria convidar vocês pra me acompanhar nessa jornada que está só no começo.

Se é egoísta? Sei lá! O que você acha? Tá mais pra carência? Só sei que resolvi expor as minhas fragilidades, fraquezas, forças e desconfortos nesse começo de caminhada.

Como uma criança que tem medo de escuro, preciso de uma mão pra segurar, no caso, quanto mais mãos de diferentes mulheres, melhor, porque por mais que a Clarissa Pinkola (autora do livro “Mulheres que correm com lobos”) afirme que a mulher selvagem dentro de nós “… não tem medo da treva mais profunda, pois na verdade consegue ver no escuro…” eu ainda não a encontrei e, confesso, tenho cagaço demais do escuro desde pequena. Agarra aqui na minha mão?

Today is #WorldDayOfSocialJustice The @unitednations define  Eco-Age never separates social justice from environmental justi___.jpg(Laura Berger)

Os textos não serão fáceis de escrever, porque algumas experiências já foram bem difíceis de passar. Desconstruções são muito dolorosas porém necessárias! Desenterrar as merdas escondidas durante anos e começar a se enxergar como é, porran! Perco até a respiração de tão difícil que é esse rôle, mas se você vier comigo, prometo ser o mais honesta possível, porque eu duvido que eu esteja passando sozinha por tudo e que não tenha ninguém que esteja se sentindo como eu! Quero chegar até você pra gente se dar a mão e andar nessa floresta agarrada de noite!

Partiu?

(Espero que eu saiba o que eu tô fazendo)

8 comentários em “Mas tem começo?

  1. Taí uma jornada que tbm tenho medo de começar. Sei que é importante pro desenvolvimento quanto pessoa, mas não me sinto preparada. O medo de coisas virem à tona e remexer no lixo fala mais alto. Mas fiquei curiosa com o blog, espero encontrar inspiração ☺️

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  2. Oi amiga. Quero muito colar contigo nessa porque eu também ouvi um grito para me salvar e estou perdida. Se me perguntar o que quero, o que sonho ao dormir eu sei mas nao sei que caminho levar, o tempk voa e não sei como seguir. Mas to com um foco para 2019: foco e atitude!!!! Vamos juntas?

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  3. Oi Flor! Mulher maravilhosa, corajosa, forte, somos todas né?! Só temos que acreditar nesses poderes, da Mulher Loba, comecei a ler ainda estou na metade do livro q vc citou aqui no blog, está de parabéns pela iniciativa! Também estou ouvindo esse chamado, algo gritando pra sair, e estou c medo, quero sim #partir em encontro a essa mulher poderosa! Estou dentro 💪🏼

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  4. Aqui estou eu, um pouco pretérita na minha leitura. Porém, não poderia me permitir abrir o blog em um momento de correria, ou que eu não pudesse dar a devida atenção e “ouvidos” ao texto. Obrigada pela coragem e por nos encorajar.

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