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(Lucy Fleming)

Não pensei o quanto que esse texto seria difícil de escrever.

Minha intenção é fazer uma apresentação de mim né?! Pra você que tá lendo e não faz parte do meu convívio, saber um pouco mais sobre quem tá escrevendo isso aqui. 

Adiei inúmeras vezes esperando a condição ideal para escrever. A inspiração que começaria no meu coração e transbordaria nos meus dedos. Alguns dias foram quase rituais: comecei com uma yoga, depois uma meditação, com trilha sonora da Peia (olhem o trabalho dessa mulher incrível no Spotify), mas chegava na frente do computador não fazia a menor ideia de como me apresentar. O medo é realmente algo paralisador em muitos níveis.

Como fazer um texto sobre alguém, mas esse alguém está numa jordana de desconstrução/descobertas todo dia. Não acordei hoje nem um pouco parecido com como eu acordei ontem, mas resolvi que de hoje não poderia passar.

Então decidi que ia falar um pouco da minha trajetória até me tocar “caramba eu sou uma mulher” num nível emocional, pq racionalmente eu já tava ligada né?!

Antes de começar, gostaria de dizer que farei o possível para só expor a minha pessoa aqui e que tudo o que você lê é sob  meu olhar (mulher, branca, privilegiada). Vem de cabeça aberta, sem racionalizar nada. Aqui vai ser tudo muito no campo do sem julgamento, pq as emoções precisam ser livres e, como eu aprendi na minha terapia corporal, é melhor deixar elas saírem e fazer as pazes com elas, do que escondê-las pra sempre. Como eu falei no post anterior, se os meus privilégios me cegarem, por favor, me falem!

Tudo o que eu vou compartilhar aqui é muito sutil pq só fui me dando conta depois de muitas sessões de terapia tá? (só pra eu não ficar falando o tempo inteiro que é inconsciente e a leitura ficar chata).


Olá, meu nome é Luciana Benamor, tenho 29 anos (até esse dia 11/03) e moro em Niterói, Rio de Janeiro. Profissionalmente sou cozinheira e internacionalista.

Para quem gosta de astrologia sou leonina, com ascendente em gêmeos e uma lua cheia em escorpião;

Para o candomblé sou filha de Yemanjá e Exú;

Para a ayurveda sou Pitta – Kapha

Pra mim? Sou uma interrogação.

Bom, eu na verdade nasci em Maceió, Alagoas. Um lugar que, pra mim, hoje, enxergo como bastante tradicionalista e opressor. Aonde mulher tem que ser bela, recatada e do lar (pelo menos no meu convívio). Que meninos vestem azul e são muio macho e mulheres vestem rosa e são princesas. Enquanto crescia vi mulheres incríveis e fodas a minha volta, aceitar serem tratadas que nem lixo, aceitar que existe mulher de casa e mulher da rua e fingir um relacionamento que não existe. Não cabe a mim julgar o motivo pelo qual elas permaneciam e permanecem nessa situação, pq esse patriarcado é foda pra caralho, mas preciso contextualizar pra trazer você pra pertinho do motivo porque esse blog foi criado.

Como, inconscientemente, percebi que os papeis direcionados a mulher eram associados a fraqueza, diminutos, sem valor (foi isso que me foi ensinado pela sociedade), e eu sentia que eu era muito potente, muito forte, tinha uma energia muito incrível dentro de mim, mas que ela só era associada ao masculino, resolvi então (novamente, sem racionalizar nada) que não ia ser reduzida somente a minha beleza (participei de uma agência de modelo muito novinha tá), e que eu ia me distanciar de tudo o que fosse relacionado a mulher. 

Falei muitas frases do tipo: “eu odeio rosa” (sem nem vestir), “não gosto de usar maquiagem de jeito nenhum” (sem brincar com que a maquiagem pode trazer)”nossa eu sou o homem desse relacionamento”, “minha filha não sairia assim de casa”, “não sou igual a essas mulheres que não gostam de futebol, tenho duas tatuagens do flamengo”…

Na verdade, o que eu virei foi uma mulher MUITO MACHISTA e isso só foi piorando com o tempo. No meu trabalho (depois a gente fala um pouco mais sobre isso), não ia de vestido pq os homens com quem eu trabalhava não podiam notar que eu era uma mulher, eles precisavam me levar a sério (WHAT?! Sim, era isso mesmo que eu pensava) e quanto mais insegurança eu sinto, mais eu tenho o hábitos desses e pensamentos nessa linha sobre mim.

Tudo era muito inconsciente, pq eu me achava a super feminista descontruídona! AH LEDO ENGANO! Um dia estava eu na minha terapia compartilhando algum momento sobre o trabalho que eu tive até que a minha terapeuta virou pra mim e falou:

– “Ué Lu, mas isso é bem machista”

E eu fique “CLARO QUE NÃO! EU? MACHISTA!” e aí pronto, me deu tela azul o resto do dia. Comecei a refletir sobre aquela atitude, fiz uma retrospectiva e puta merda! Ela tava certa! Tava muito certa, como sempre! Comecei a ver essa estrutura do machismo que tá tão instalada em todos nós que está presente em como operamos, nos nossos hábitos físicos e mentais que precisam ser urgentemente desconstruídos. Comecei a notar como eu sentada em situação em que eu não estava confortável, a forma com que eu falava…

Corta a cena para o final do ano passado (2018), perdidinha que tô na minha vida profissional (não sei se faço um mestrado ou se me mudo pro meio do mato), fui numa astróloga MARAVILHOSA, que mencionou que eu precisava muito me descobrir como mulher, como natureza, como fertilidade, como ancestralidade. Conversei com uma amiga @isabellitsek (que presente de Ser Humano) que era a única que eu já tinha escutado algo do tipo e CARALHO! Que conversa e que dia! Ela me indicou um instagram @danzamedicina e eu devorei o conteúdo da Morena a noite inteira.

Fiquei extremamente chocada como esse conhecimento não chegar a nós mulheres! É tão lindo, tão importante, e tão diferente que causa treta nesse nossos softwares machistas. Coloca bem na sua cara todos os seus medos, desconfortos, inseguranças que estavam bem escondidos lá no fundo desse rolê desafiador que é a vida, mas ao mesmo tempo te dá um abraço que só uma verdadeira mãe pode te dar. 

Para não alongar mais esse post, ficamos por aqui. Com essa pequena parte de mim e da minha trajetória. Com essa reflexão sobre esse machismo estrutural em todos nós e no nosso sistema social.

Compartilha comigo o que você quiser! Vamos juntos nessa jornada de descobrimento e desconstrução. Se não se sentir confortável para comentar, pode me enviar um e-mail @lucianabenamor.gc@gmail.com e vamos trocando sempre no que pudermos e sem cobrança e julgamento, mas sempre com muita consciência.

 

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